As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky

E aí? Tudo bem?
Como havia prometido, cá estou eu para mais uma resenha. Demorei, eu sei. Mas, sabe como é... No último trimestre, matemática, química e física não ajudam ninguém.
Hoje vim falar de um livro que me fez chorar (é clichê, porém pura realidade). Chorei abraçada com ele de madrugada. Sente o drama.
É sério.
Coloquei a playlist de Charlie, que ele descreve no livro, e um poema que ele dá a um amigo. Espero que gostem.




O livro foi escrito em 1999, mas os temas são totalmente atuais. Achei legal, porque naquela época os temas abordados não estavam tão em evidência como hoje. É a vida de Charlie, que tem 15 anos. Ele envia cartas para alguém, que nem ele identifica. Me senti super íntima do livro e do Charlie por isso. Parece que ele escreveu pra mim. Não sei se essa foi a intenção, mas, de qualquer forma: é incrível.
Nas cartas, Charlie descreve os amigos, os nem tão amigos assim, as primeiras festas, as sensações, a família, os problemas. Ele é um garoto muito inteligente, na turma de inglês avançado, que lê vários livros e gosta de ouvir músicas gravadas em várias fitas. Em um pedaço do livro ele escreve as músicas da playlist de uma fita que gravou. Como eu sou super legal, tirei uma foto para vocês:


O livro gira em torno do que ele faz, das suas descobertas e saudades. Saudades do amigo que se suicidou, saudade dos amigos que vão para a faculdade e saudade da tia que morreu. E, o pior de tudo: morreu quando foi comprar o segundo presente de aniversário dele. Charlie é ingênuo e o fim do livro é surpreendente. A vontade é ler os livros que ele lê. Ouvir as músicas que ele ouve. Entrar no livro e abraça-lo. Chorar por e com ele. E matar quem fez o fez mal. Foi exatamente assim que me senti.
Primeiro eu vi o filme. Não estava com a mínima vontade de ler o livro, é verdade. Mas achei o filme tão bom que pensei "o livro só pode ser melhor". E acertei.
Vale a pena tirar uns dias e ler. Não sei quanto tempo demorei, mas menos de 5, eu acho. Lendo bem devagar. Não queria terminar nunca.
Por fim, deixo aqui uma frase do Charlie e um poema que ele dá a um amigo.

"É como quando você está excitado com uma garota e vê um casal de mãos dadas, e se sente feliz por eles. E outra vezes você vê o mesmo casal e eles te deixam louco. E tudo o que você quer é se sentir sempre feliz pro eles, porque você sabe que se for assim significa que você está feliz também." 
Pág. 105-106.


Espero que tenham gostado do post de hoje.
Deixo o poema aqui embaixo para quem quiser ler.
Beijos,
Bruna




O poema:
"Em uma folha de papel amarelo com linhas verdes
ele escreveu um poema
E o intitulou "Chops"
porque era o nome de seu cão
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e uma estrela dourada
E sua mãe o abraçou à porta da cozinha
e leu o poema para as tias
Era o ano em que o padre Tracy
levava todas as crianças ao zoológico
E ele deixou que cantassem no ônibus
E sua irmãzinha tinha nascido
com unhas minúsculas e nenhum cabelo
E sua mãe e seu pai se beijavam tanto
E a garota da esquina mandou para ele
um cartão de Dia dos Namorados assinado com vários X
e ele teve de perguntar ao pai o que significava X
E seu pai deixou que ele dormisse na sua cama à noite
E era sempre lá que ele dormia
Em uma folha de papel com linhas azuis
ele escreveu um poema
E o intitulou "Outono"
porque era o nome da estação
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e o pediu para escrever com mais clareza
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
por causa da pintura nova
E as crianças disseram a ele
que o padre Tracy fumava cigarros
E largava as guimbas no banco da igreja
E às vezes elas faziam buracos
Que era o ano de sua irmã usar óculos
com lentes grossas e armação preta
E a garota da esquina riu
quando ele pediu para ver Papai Noel
E os garotos perguntaram por que
a mãe e o pai se beijavam tanto
E seu pai não o cobria mais na cama à noite
E seu pai ficou furioso
quando ele chorou por isso.
Em um pedaço de papel de seu caderno
ele escreveu um poema
E o intitulou "Inocência: Uma Questão"
porque a questão era sobre uma garota
E isso estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e um olhar muito estranho
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
porque ele nunca o mostrou a ela
Foi o primeiro ano depois da morte do padre Tracy
E ele esqueceu como terminava
o Creio em Deus Pai
E ele pegou a irmã
se agarrando na varanda dos fundos
E sua mãe e seu pai nunca se beijavam
nem mesmo conversavam
E a garota da esquina
usava maquiagem demais
O que fez ele tossir quando a beijou
mas ele a beijou mesmo assim
porque era a coisa certa a fazer
E às três da manhã ele se aninhou na cama
seu pai roncava alto
É por isso que no verso de uma folha de papel pardo
ele tentou outro poema
E o intitulou "Absolutamente Nada"
Porque era o que estava em toda parte
E ele se deu um A
e um corte em cada maldito pulso
E se encostou na porta do banheiro
porque nessa hora ele não pensou
que poderia alcançar a cozinha."