Resenha: A menina que roubava livros, de Markus Zusak

A menina que roubava livros

Liesel Meminger e seu irmão são duas crianças alemãs pobres que são levados para uma casa na Rua Himmel (que significa Céu) para viver com um casal, Hans e Rosa. No caminho, em um trem, o irmão de Liesel morre, fazendo que o veículo pare para o enterro: e este é o primeiro encontro de Liesel com a narradora deste livro, a Morte. E também é lá que Liesel furta o seu primeiro de muitos livros. 
E, não sabendo ler, é apoiada pelo seu pai adotivo, que lhe passa o dom das palavras e também dá uma lição de moral. 
Um livro que demonstra como era difícil a vida na Alemanha dos anos 40 e a como uma palavra pode salvar alguém.

Sempre há um livro que você leu quando é pequeno e depois, mais tarde, o lê de novo e percebe o quão inocente foi. E esta é a minha relação ínfima com A Menina que Roubava livros (The Book Thief). 
Quando eu o li pela primeira vez, em 2007 (se eu me lembro bem, eu devia ter uns doze anos), eu fiquei extasiado pela história, mas de um lado mais infantil, já que naquela época eu não tinha uma mente tão aguçada. O livro virou para mim facilmente um dos meus preferidos e a história de Liesel Meminger ficou guardada pra sempre na minha memória... até que eu voltei a lê-lo, cinco anos mais tarde. Me senti como Bruno (O Menino do Pijama Listrado). Se é que me entendem. 
O resultado foi amedrontador: aquele livro doce e gentil que me envolveu tão deliciosamente era cheio de malícia e crueldades, como, por exemplo, a Morte (narradora da história) carregando pessoas mortas e o cheiro horrível das chaminés próximas. É difícil para uma criança relacionar isto às cruéis Câmaras de Gás da Segunda Guerra. 
Mas, de qualquer forma, o resultado não mudou: o livro ainda é um dos meus preferidos. 
Rosa ainda está em minha memória, sentada com o acordeão chorando por Hans. Max ainda anda pelas ruas com o Mein Kempf nas mãos, procurando o seu salvador... e, bem no fundo, a pequena menina ainda lê para as pessoas no abrigo. 
Este é um dos melhores livros: para todas as idades. Zuzak foi um mestre ao fazê-lo. Recomendo muitíssimo (e que o façam antes de assistirem o filme). 
Minha nota para ele: DEZ!



Post por Júlio César.